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Sobre - Viver

“Ah, viver é tão desconfortável. Tudo aperta: o corpo exige, o espírito não para, viver parece ter sono e não poder dormir – viver é incômodo. Não se pode andar nu nem de corpo nem de espírito.” Clarice Lispector


Viver apresenta seus desconfortos, e Freud fala sobre isso em seu texto “ Mal-estar na civilização”, ele aponta: “É notável que os seres humanos, embora não possam existir no isolamento, sintam, não obstante, como gravemente opressivos os sacrifícios que a cultura deles espera para que a vida em comum seja possível”.


Clarice apresenta o que todo ser humano pode vivenciar, mesmo que de formatos diferentes. Viver não é uma tarefa simples, lidar com angústias não é fácil, porém é inevitável. Organizar-se dentro de contextos sociais nos exige uma certa quantidade de energia, e que, sem algum nível de oferta, um pouco de cada pessoa, a sociedade não existiria. O ser humano precisa de um outro, desde os seus primeiros momentos de vida. Sem um outro, que o segure, o cuide, o alimento, o bebê nem sairia do lugar, e morreria em questão de pouco tempo.

Lacan também pontua que “Cada um alcança a verdade que é capaz de suportar”.


A psicanálise vem para nos apontar que as respostas que queremos não são encontradas tão rápido ou facilmente como gostaríamos. Ela vem para nos apontar que ser sujeito não é algo simples, mesmo que muitos discursos queiram direcionar respostas prontas para "ser feliz" ou "viver bem". A psicanálise nos mostra o quanto o inconsciente é complexo, em seus desejos e escolhas, e que ser um sujeito no mundo nos solicita a criar respostas muito únicas para cada vivência.


O analista, em seu papel de escuta, não busca simplesmente nomear um sintoma e enquadrar o sujeito numa caixinha, ele irá na direção oposta, escutando o sintoma, não interrompendo o choro, não censurando o desejo. O analista dá lugar as palavras, mesmo aquelas que ainda estão por ser encontradas, abrindo espaço para uma construção única de cada sujeito.

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